segunda-feira, 23 de novembro de 2015

024 - A bota

Nos EUA, fiz a minha esposa me dar o atrasado presente de Natal que ela prometera: uma bota Timberland à prova d’água. Já estava de olho na trilha, embora a compra de tal bota fosse algo que eu desejava havia muito tempo, para substituir a botina mateira que eu usava nas minhas pescarias. Minha esposa sempre torcia o nariz para aquele troço horroroso, preto, parecendo uma bota ortopédica daquelas de antigamente, que os pais ameaçavam por na gente para curar pé chato. Só que era boa para as pescarias e aventuras no mato e isso me bastava, ou me bastou, até eu ter a oportunidade de ganhar uma bota moderna, chique, de uma marca famosa. Melhor ainda, custou menos da metade do preço que minha esposa pagaria no Brasil, onde os impostos, como eu vivo repetindo, são mais altos do que qualquer montanha neste planeta.
Tratei de usar a bota na minha preparação. O aviso da agência era claro quanto à necessidade delas serem pré-amaciadas. Colocar os pés em um calçado novo e partir para uma trilha longa é um dos maiores suicídios que alguém pode cometer, pois em pouquinho tempo bolhas gigantescas se formarão e seus pés estarão em frangalhos. Lá nos EUA mesmo eu já usei a bota. Depois, no Brasil, tratei de fazer as minhas caminhadas com ela e isso foi muito bom, porque em um dos dias de preparação ganhei uma bolha no dedão do pé esquerdo, sinal de que a bota ainda estava sendo formatada pelo pé. Aviso também, é claro, de que a utilização de duas meias sobrepostas durante a caminhada poderia ser não apenas um luxo, mas uma necessidade.
Enfim, no quesito bota eu estava bonito na foto, com uma dos melhores calçados que eu poderia escolher no planeta. Na minha imaginação, é claro, porque na trilha eu ainda ouviria coisa bem diferente sobre ela.

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